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17/02/2009 - 01:06

Adriano, o erro e a punição

Por Milton Trajano

O amigo Maurício Barros, ex-Placar e hoje na revista Runners, costuma dizer: não queiram consertar o mundo através do futebol. Sua argumentação é a de que, às vezes, exige-se no campo um tipo de reação que as pessoas não têm no dia-a-dia.

Talvez seja o caso da suspensão que a Federação Italiana pode (e provavelmente irá) aplicar a Adriano por ele ter marcado, com o braço, um dos gols da Inter na vitória sobre o Milan.

Se Adriano não teve a intenção de colocar a mão na bola – sobre o que tenho dúvidas – acho que a tese do Maurício se aplica. Por que será que daria, nesse caso, para exigir que Adriano chegasse ao árbitro e dissesse: “Olha, seu juiz, anula aí esse gol porque foi com a mão, tá? Foi mal.”?

Qual seria a reação dos torcedores da Inter? Isso não prejudicaria sua trajetória no clube, sua carreira, seu futuro? Não é muita hipocrisia exigir de um jogador uma atitude do gênero? Não sei, mas acho que é, no mínimo, para se discutir o tema antes de aplicar uma punição desse tipo.

No caso de Adriano ter tido a intenção de fazer o gol com a mão, acho que a tese cai. Aí sim, punir pode ter um efeito positivo. Porque, cada vez mais, jogadores pensarão duas vezes antes de bancar os espertalhões. E isso não será ruim para o futebol – não, eu não sou daqueles que acha que o futebol depende dos erros de arbitragem pra ser legal.

Para finalizar o tema (de minha parte, pelo menos), só espero que o árbitro não venha argumentar que viu o lance e o considerou regular (o que, aliás, absolveria Adriano). Porque a gente sabe: juiz nenhum consideraria aquele gol regular, fosse ele intencional ou não.

Quer rever o lance? Lá vai:

   

PS: Fiquei devendo algumas respostas e comentários, como a confirmação ou não da queda no acento do pôde (se a Josy diz que não caiu, não deve ter caído). Só que estou no Equador, sem tempo para muitas pesquisas. Então prometo “pagar as dívidas” até sexta-feira, combinado?

Autor: Gian Oddi - Categoria(s): inter, jogadores, opinião Tags: , , , ,
16/02/2009 - 10:58

Um exemplo de injustiça

Adriano
Adriano marcou de mão, mas nem só por isso o resultado do clássico milanês foi injusto

Você acha normal alguém responder à pergunta “o resultado foi justo?” com um “bom, como o time tal soube aproveitar as poucas chances que teve e foi mais competente nas finalizações, acho que sim”? Se acha, pode parar por aqui, nem leia este post.

Sempre me perguntei quando é que um resultado é injusto para alguém que analisa assim a tal da “justiça do resultado”. Só quando o juiz prejudica o time perdedor, imagino.

Pois bem: neste domingo, o juizão prejudicou bastante o Milan, validando (mais) um gol de mão de Adriano quando os rubro-negros eram bem melhores e mais perigosos no campo com mando da rival Inter, ainda no primeiro tempo.

Mas nem só por isso o derby milanês pode ser apontado como um exemplo de injustiça (e aqui façamos justiça à injustiça: é muito por causa dela que gostamos tanto de futebol).

No primeiro tempo, praticamente foi só o Milan a buscar o gol com jogadas trabalhadas e pressão constante. Resultado parcial, 2 x 0 Inter, com um gol de mão. No segundo tempo, os milanistas foram, de novo, melhores. Deram mais chances à Inter, claro, até porque tiveram que ir com mais sede ao ataque.

O Milan só não empatou porque Júlio César novamente esteve ótimo (justiça, ops, seja feita, Abbiati também foi muito bem em um contra-ataque de Adriano). E porque o trio de arbitragem, corretamente, não quis compensar o erro da primeira etapa fazendo vistas grossas ao impedimento de Inzaghi no golaço marcado após o lançamento de Pato, que marcara havia pouco o gol milanês.

Foi um grande jogo. E uma grande injustiça.

Injustiça que cresce ainda mais se levarmos em conta a atuação de Ronaldinho. Ao contrário do jogo do Brasil, quando o Gaúcho fez umas duas firulas ineficientes e pouco mais (mas saiu vitorioso), contra a Inter ele foi preciso e objetivo: acertou pelo menos seis ótimos passes que poderiam resultar em gols – mas só um terminou nas redes.

E Adriano? Ele foi, de certa forma, um dos protagonistas do jogo. Mas deve receber outra suspensão por ter enganado a arbitragem. Nem estou certo que, dessa vez, ele tenha tido a intenção de colocar a mão na bola. Sua opção, portanto, teria sido a de dizer ao árbitro que havia feito o gol de irregularmente. Seria pedir demais, não? Eu não sei. E assim, pelo menos nesse caso, não vou julgar se a possível (e provável) suspensão será justa ou não.

Afinal, não sou juiz, e hoje praticamente só falei de justiça.

PS: Só consegui ver o clássico da rodada do Italiano. Alguém pode me dizer o que houve com a Roma? Se Amauri jogou bem além de marcar no empate da Juve? E como o Genoa conseguiu deixar um 3 x 0, em casa, virar 3 x 3?

Autor: Gian Oddi - Categoria(s): campeonato italiano, inter, milan Tags: , , , ,
13/06/2008 - 15:54

passa a culpa adiante, donadoni


Toni até saiu comemorando seu gol. Mas o Collina norueguês…

Se depois do jogo da Holanda cornetei Donadoni, não vou fazê-lo agora. Dessa vez, vou atacar de técnico brasileiro e “reclamar” (lembrando que este blog, na Euro, não é imparcial) da arbitragem — Mano Menezes é hoje o melhor símbolo dessa classe que não perde nunca, se não for por culpa dos juizes.

O fato é que, a partir de agora, se a Itália for mesmo eliminada na primeira fase, Donadoni terá todo direito de culpar a arbitragem.

Depois do jogo contra a Holanda, qualquer um com o mínimo de bom senso concordaria que aquela justificava da Uefa ao dizer que o primeiro gol holandês foi “legal” é, como diria o nosso sempre presente Gilson, um acinte. E a Holanda só fez 3 x 0 porque fez 1 x 0. Mas não vou me alongar sobre isso.

Agora, contra a Romênia, não falarei do pênalti concedido aos romenos e bem defendido por Buffon. Mas é preciso falar principalmente do gol mal anulado de Toni (bem no jogo, como pivô, com Grosso municiando-o pela esquerda), no fim do primeiro tempo.

A Itália teve outros problemas? Certamente, sim. Mas Donadoni, mesmo que pudesse ter sido melhor em uma coisa ou outra — e é justo dizer que os italianos até agora não jogaram mal — certamente já tem na ponta da lingua sua justificativa para a provável eliminação da segunda-feira.

Resta-me o consolo que, em dias de grande correria, consegui parar por duas horas para ver o jogo com dois grandes amigos, Arnaldo Ribeiro e Sérgio Patrick, enquanto comia uma ótima massa e tomava um bom vinho no restaurante Fornaio D’Itália, aqui em São Paulo.

E agora, quem diria, resta à seleção italiana torcer por uma vitória da França contra a Holanda. Para então fazer um jogo de vida ou morte contra os mesmos franceses, na segunda-feira.

Autor: Gian Oddi - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
05/02/2008 - 11:53

a “verdadeira” classificação

A respeitos dos constantes erros de arbitragem no Campeonato Italiano, a Gazzetta dello Sport, com sua redação mastodôntica, fez um levantamento no mínimo trabalhoso, polêmico e interessante: analisou, jogo a jogo, todos os erros das 21 primeiras rodadas do torneio e “mudou o placar” das partidas baseando-se nesses erros.

É claro que as coisas não são simples assim: a Gazzetta computou, por exemplo, pênaltis não marcados como gols — e nem sempre os pênaltis são convertidos. Além disso, é óbvio que a postura das equipes em campo muda de acordo com o placar. O que, portanto, não dá nenhum embasamento “científico” à nova classificação da Gazzetta.

Mas, meio que na brincadeira e de maneira provocativa, o jornal divulgou quais os times que mais ganharam ou perderam pontos por causa dos homens de preto (ou rosa, amarelo, verde-limão…). Resultado: o Milan foi o mais prejudicado e, como já esperávamos, a Inter a maior beneficiada. Além disso, surpresa!, a Juventus seria a líder do Italiano. É, “os tempos mudaram”, dirão alguns…

DE QUEM OS ÁRBITROS “TIRARAM” PONTOS:
Milan (-8), Juventus e Reggina (-7), Atalanta (-4), Cagliari e Livorno (-2), Lazio e Siena (-1)

PARA QUEM OS ÁRBITROS “DERAM” PONTOS:
Inter (8), Udinese (5), Torino (3), Genoa e Catania (2), Fiorentina e Empoli (1)

QUEM FICOU NA MESMA:
Parma, Napoli, Palermo, Roma e Sampdoria

COMO FICARIA A CLASSIFICAÇÃO “SEM ERROS”:
1) Juventus, 48
2) Inter e Roma, 45
4) Milan, 41
5) Fiorentina, 36
6) Atalanta, 33
7) Palermo, Sampdoria e Udinese 28
10) Napoli, 27
11) Genoa, 26
12) Reggina, 25
13) Lazio, 24
14) Livorno, 23
15) Catania e Siena, 21
17) Parma, 19
18) Torino, 18
19) Cagliari, 16
20) Empoli, 15

Conclusão: os juízes conseguiram tirar a emoção do Campeonato Italiano. A propósito, o “Quebravento”, juizão de Inter x Empoli, foi suspenso por um mês.

Autor: Gian Oddi - Categoria(s): Sem categoria, campeonato italiano, imprensa Tags:
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