O Milan é bom. Só não é favorito

Pato vibra após gol contra a Juve: ele jogar um pouco mais do que no ano passado é uma das muitas condições pra esse Milan (que não é ruim como dizem) dar liga
Eu estava para escrever há algum tempo. Para não parecer oportunista, não queria fazê-lo justamente depois de o Milan ganhar, enfim, alguma coisa. Ainda que esta “coisa” seja o troféu Luigi Berlusconi, e nos pênaltis (clique aqui para ver como foi o triunfo sobre a Juve). Bom… mesmo parecendo oportunista, direi: há um baita exagero sobre o que se fala em relação às deficiências desse time.
É óbvio que hoje a Inter é o melhor time da Itália. Também é evidente que, ao lado da Juventus, a equipe nerazzura foi a que melhor contratou. E que isso faz de Inter e Juve, sem dúvida e para mim nesta ordem, os favoritos à conquista do Campeonato Italiano 2009-2010.
Mas daí a dizer que esse time do Milan é “muito fraco”, como tanta gente tem dito, vai um longo caminho.
Até é possível entender como e por que nasceram críticas tão contundentes. Recapitulemos:
Primeiro o Milan vende Kaká, seu melhor jogador, e por isso começa a temporada cercado de compreensíveis protestos da torcida. Ao contrário da Inter, que “trocou” Ibrahimovic por Eto’o, o time demora para trazer um reforço de peso e, quando o faz, anuncia Huntelaar — que, convenhamos, não empolga. Em meio a esse clima, e talvez esteja aí o motivo das críticas terem crescido tanto nas últimas semanas, o Milan coleciona uma sequência de 10 amistosos sem vitória (incluo na lista o jogo de hoje).
É evidente que as chances de o Milan vencer o próximo Italiano são menores das de Inter e Juventus. É evidente que a perda de Kaká, chegasse quem chegasse, seria muito sentida. Só não é evidente, para mim, que essa batelada de amistosos signifique alguma coisa (são tantos os exemplos de pré-temporadas passadas…). Assim como não é evidente que esse time do Milan é “muito fraco”, como já ouvi tanto, especialmente na imprensa brasileira.
Vale uma olhada na provável escalação titular da equipe de Leonardo:
Abbiati (Dida), Zambrotta, Thiago Silva, Nesta e Jankulovski; Gattuso, Pirlo e Flamini (Ambrosini); Pato, Huntelaar e Ronaldinho.
O amigo há de concordar, não é um time tão ruim assim (os goleiros, vá lá…). Pode-se criticar a idade dos laterais, mas, em termos de qualidade, é uma dupla superior, por exemplo, à da Juventus (Zebina e Molinaro). Na zaga, a dupla Thiago Silva e Nesta não deve nada a nenhuma outra da Itália (Mexes e Juan, talvez?). O meio-campo, que além dos três escalados (dois campeões do mundo) ainda conta com opções como Seedorf, Ambrosini e o promissor Abate, também não parece “muito ruim”. E no ataque, se o desempenho do trio ainda é uma incógnita (ao contrário do de Inzaghi, o grosso que sempre satisfaz), não há tantas dúvidas sobre sua qualidade técnica.
Esse Milan precisa dar liga. Precisa que o bom Thiago Silva dê certo e que Nesta esteja realmente recuperado de suas infinitas lesões (deu esperanças de estar). Precisa que seus veteranos, que ainda não são poucos, tenham condições de jogar toda uma temporada. Precisa que Pato faça só um pouco mais do que mostrou ser capaz de fazer na temporada passada. E que Ronaldinho jogue mais ou menos a metade do que já mostrou saber jogar.
Precisa de muita coisa, é verdade. Mas não é um time, pela qualidade dos jogadores que tem, que pode ser descartado de antemão, pelo menos no futebol italiano (e na Europa a vida é dura para todos os italianos).
O Milan só não é favorito. O que, por se tratar do Milan e do seu histórico — o clube mais vencedor dos últimos 20 anos no planeta —, acaba fazendo todo esse barulho. E virando, para alguns, um time “muito ruim”.
PS: A vibração do Adriano Galliani e a expressão do Leonardo depois de Thiago Silva converter o pênalti decisivo contra a Juve mostraram que, para o Milan, o torneio de hoje era menos “amistoso” que para a Juve.
PS2: O Italiano está mesmo em baixa. Na enquete que está na home do iG Esporte, 45% dos internautas preferem o Espanhol; 35%, o Inglês; e apenas 18% optam pelo Italiano como “o preferido”. Dá pra entender…



