Amauri e as teses conspiratórias
Dunga fez o que pôde para não convocar Amauri, mas não deu. Neste sábado, depois de confirmada a lesão de Luis Fabiano, o técnico chamou o atacante da Juve para enfrentar a Itália, dia 10 de fevereiro, em Londres.
Contra a vontade da mãe do jogador, que disse o seguinte: “Continuo a dizer que ele deve jogar pela Itália. O Brasil nunca lhe deu nada e agora vem essa convocação do Dunga, que só serve para queimá-lo. Dunga só o chamou porque o Luis Fabiano se machucou, e eu sempre disse que ele deveria vestir a camisa da Itália, um paÃs que lhe deu tudo”.
Mas Dona Janete, a mãe, ainda pode manter duas esperanças. A primeira: para que Amauri pudesse jogar o amistoso, a Juventus precisaria liberá-lo, pois a convocação ocorreu fora do prazo estabelecido pela Fifa para que sejam chamados atletas que atuam no exterior. E o presidente da Juve, Cobolli Gigli, disse há pouco em uma entrevista à TV, logo depois da derrota por 3 x 2 para o Cagliari (sim, Amauri jogou), que não recebeu nenhum comunicado nesse sentido e que, mesmo que o aviso chegasse, “seria fora de hora”. “Não aceitaremos, e o jogador já foi comunicado”, disse. E assim…
… vão começar a chover, como de costume no mundo do futebol, uma série de teorias conspiratórias das mais cabeludas. Posso adiantar algumas delas:
1) O presidente da Federação Italiana de Futebol, Giancarlo Abate, e o técnico da Azzurra, Marcelo Lippi, pediram à diretoria da Juventus que, pelo bem do paÃs, ela não liberasse Amauri. Assim o atacante poderia em breve ocupar o lugar de Luca Toni com a camisa azul. É a mais óbvia das teorias.
2) Amauri, receoso (como sua mãe) sobre suas reais chances de atuar na Copa pela seleção brasileira, teria pedido ao próprio clube que não o liberasse. Assim teria tempo de esperar o passaporte italiano e ainda verificar se Dunga voltará a chamá-lo pelo Brasil em outras oportunidades.
3) Dunga teria colocado em prática o italiano que aprendeu nos tempos de Fiorentina e, sem a mÃnima cerimônia, teria ligado à diretoria da Juve e antecipado: “Olha, eu o chamei, mas se vocês não quiserem liberá-lo, por mim, tudo bem”. Assim, o técnico viveria no melhor do mundos: encerraria as crÃticas que recebe por não chamar Amauri, sem, contudo, precisar escalá-lo.
Se nenhuma destas teses aparecer nos próximos dias, será porque a Juventus voltou atrás e acabou liberando Amauri apesar da frase de seu presidente, que hoje deve estar num baita mau humor. E aÃ, para Dona Janete, só restará a segunda esperança, de que seu filho não entre em campo no jogo contra a Itália. Se ficar apenas no banco, pelas regras da Fifa, Lippi ainda poderá sonhar em convocá-lo para a Azzurra.
* Post atualizado às 20h50.




