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Arquivo da Categoria técnicos

quarta-feira, 1 de outubro de 2008 entrevistas, imprensa, inter, técnicos, vídeos | 11:34

Mourinho, um fora da ordem

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Achei que o bate-boca de José Mourinho com um jornalista italiano, ontem, na coletiva oficial da Liga dos Campeões, fosse ter mais repercussão por aqui. Não foi o caso, então vale contar a historinha.

A entrevista era, teoricamente, para falar de Inter x Werder pela Liga. Mas, como era de se esperar, as perguntas eram ‘contaminadas’ pelo resultado do derby de domingo. Mourinho não gostou, e o resultado disso você vê nos episódios abaixo. Todos de ontem.

1) Jornalista lhe pergunta sobre que time ele havia reencontrado após a derrota para o Milan.
Mourinho olha para os lados, onde só se vê cartazes sobre a Liga dos Campeões e responde: “Ué, mas já acabou a entrevista coletiva sobre a Liga dos Campeões?”

2) Jornalista contesta sua formação contra o Milan.
Mourinho critica quem “comenta depois dos jogos, não antes”. E, em seguida, solta essa: “Para os jornalistas é bem fácil julgar as coisas feitas. De qualquer forma, todos podem falar e escrever, mas quem decide sou eu. Aqui não há tempo para chorar, essa é uma vida para quem trabalha, não para quem escreve sobre o trabalho dos outros”.

3) Jornalista insiste em falar de tática. Aí, segue-se o diálogo:
— Para o amigo de ‘óclinhos’ talvez seja uma grande satisfação vir aqui e escalar o time, porque talvez o amigo seja um jornalista frustrado, talvez quisesse ser técnico e não tenha conseguido. É um belo desafio: você vem aqui e escreve o time, e eu prometo que o escalo amanhã.

— Se Você me der parte dos 9 milhões de euros do seu salário… — responde o jornalista.

— Não são 9. São 11. Com a publicidade, 14!

O final desse último trecho, você pode ver aqui:

Exageros desse espisódio específico à parte, repito: Mourinho bate boca, contesta, não é chegado a fazer médias, mas é muito diferente, por exemplo, de técnicos como Emerson Leão, que vêem nos jornalistas “inimigos por princípio”. Se Mourinho responde, é porque julgou necessário responder — o que não elimina a possibilidade de julgamentos errados, como, acho, ocorreu no caso relatado acima —, porque não estava de acordo, verdadeiramente, com aquilo que lhe foi dito.

Há quem diga, também, que a intenção do técnico é, nos momentos ruins, tirar o foco dos jogadores e deixá-lo todo sobre si. Pode ser e, se for essa sua intenção, até funciona.

Mas a única coisa da qual tenho certeza é que, patadas à parte, os jornalistas não podem reclamar de Mourinho. Porque, perto do português, Felipão, o nosso técnico “mais divertido”, fica parecendo um personagem tão interessante como, digamos, Waldemar Lemos. Se é que me entendem.

Pra finalizar, depois de maus exemplos, deixo um bom exemplo da coerência e dos discursos (no mínimo lógicos) de Mourinho: a entrevista que ele deu para justificar o fato de não ter dado entrevista coletiva após o 1 x 0 sobre o Lecce, quando mandou Giuseppe Baresi em seu lugar. O vídeo está abaixo, em italiano.

Entre outras partes, argumenta Mourinho, sem fazer média (vou resumir): “Estudar italiano como eu estudei para poder falar com vocês logo no primeiro dia de trabalho é desrespeito? Então, o que é respeito? É fazer como o Ranieri, que ficou cinco anos na Inglaterra e ainda tinha dificuldade de dizer good morning?”.

Enfim, eu confesso. Adoro o Mourinho.

Autor: Gian Oddi Tags: , ,

segunda-feira, 29 de setembro de 2008 campeonato italiano, inter, milan, técnicos, vídeos | 13:02

Rescaldo do derby de Milão

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Hoje não vou falar da rodada completa do Italiano, só do derby Milan 1 x 0 Inter, que, afinal, foi provavelmente o confronto entre os dois principais candidatos ao título (os torcedores da Juve que me perdoem). Então vamos lá, algumas notas a respeito do clássico de Milão:

* Eu poderia falar aqui sobre a importância do gol de Ronaldinho num jogo como esse. Mas não é preciso: alguém se lembra de ver o Gaúcho comemorando um gol com tamanha euforia, quase alucinado, como a gente vê no vídeo abaixo? Eu, por mais que me esforce, lembro-me no máximo daquele bom e velho “hang-loose” com um sorrisão no rosto. Não mais.

* Em contrapartida, se eu fosse milanista, ficaria profundamente irritado com a reação do Pato na hora em que Ronaldinho marca. Se o garoto acha que já está na fase de só ficar feliz quando é o autor do gol (na verdade, não aguento isso nem em veteranos), poderia pelo menos disfarçar.

* Ronaldinho foi badaladíssimo, claro. Kaká, de novo, jogou muito e continuará sendo o craque da equipe na temporada. Mas o jogador eleito pela imprensa italiana como o melhor da partida foi o holandês Seedorf, atuando em “nova posição”, a posição do machucado Pirlo.

* Eu queria muito colocar aqui o vídeo do Gattuso discutindo (uma discussão do bem, sem dúvida) com o Ancelotti no meio do jogo. Mas não achei o vídeo no Youtube. Se alguém achar, por favor, coloque o link aqui embaixo. Agradeço ao Gilson, que enviou para cá o link.

* Após a derrota, Mourinho deu uma entrevista ao vivo para o Domenica Sportiva, da RAI. Não se abalou com a presença do presidente da Lazio, Claudio Lotito, e soltou, sem a média e hipocrisia com a qual estamos acostumados a ouvir em entrevistas no Brasil (e na Itália também):

“Parabéns aos times que estão na frente, mas sinceramente eu não os vejo com potencial de ganhar o scudetto. Tenho que me preocupar com Milan, Juve, Roma e, talvez, a Fiorentina. E fico feliz de estar à frente deles”.

O presidente da Lazio enfezou-se, começou um discurso (um pouco chato) sobre o poder do dinheiro no futebol, falou que “investimento não é tudo”, ao que Mourinho respondeu: “Se a Lazio for campeã, serei o primeiro a cumprimentar o presidente. Mas acho difícil”.

Pouco antes, Fulvio Collovati, ex-jogador da Juve, fez a Mourinho uma pergunta sobre as condições físicas do time da Inter acrescentando aquelas frases do tipo “a torcida da Inter ficou decepcionada…”. Mourinho também não perdoou: “Primeiro, queria parabenizá-lo por em tão pouco tempo ter conseguido ouvir a torcida da Inter. Porque eu, o que vi, foi nossa torcida nos aplaudindo no fim do jogo”. E seguiu-se outra discussão ríspida.

Mas Mourinho, não me entendam mal, está longe de ser um Emerson Leão. Ele é educado, mas, no meu ponto de vista, retruca quando tem que retrucar.

* A única coisa com a qual não concordo é a choradeira da Inter por causa da arbitragem. Porque:

1) Se Kaká estava impedido na hora do gol, foi por milímetros, e a orientação da Fifa é “na dúvida pró-ataque”;
2) Se o choro é por causa da “cotovelada” e suposto pênalti de Flamini em Adriano, é bom lembrar que Materazzi acertou uma igualzinha sobre Kaká no primeiro tempo. Seriam, portanto, dois pênaltis, um pra cada lado (e o do Milan, antes)
3) Contestar a expulsão de Burdisso, depois daquela falta bizonha sobre Kaká, parece piada. Pode-se, no máximo, contestar o primeiro amarelo. Mas seria muito choro para pouca coisa.
4) E, por fim, é demais Materazzi conseguir ser expulso, no banco de reservas, por reclamar de um lance faltoso que ele também havia cometido, igualzinho, no primeiro tempo. Reclamar dessa expulsão, também não dá.

* A Inter pode até dizer que jogou o suficiente para empatar, mesmo com um a menos. Isso é aceitável. Mas culpar o árbitro, como fez Ibrahimovic, jamais.

Autor: Gian Oddi Tags: , , , , , ,

terça-feira, 15 de julho de 2008 Sem categoria, inter, jogadores, técnicos | 15:32

Mancini & Mourinho

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Taí. Só para registro. Mancini enfim foi apresentado à Inter. Na foto, aparece cumprimentando o técnico português José Mourinho, que, creio eu, será fundamental para o sucesso do brasileiro na equipe. Porque, fosse o técnico interista o mesmo da temporada passada, seu xará Roberto Mancini, o Mancini brasileiro teria tudo para, pelo jeitão marrento de ser, acabar se tornando mais um da turma que costumava deixar o campo xingando o ex-treinador (como Vieira, Figo, Adriano, Ibrahimovic…).

Com o técnico português, Mancini sabe bem, não há espaço para isso. Além do quê, como primeiro reforço da “Era Mourinho”, o brasileiro pode acabar virando uma espécie de homem de confiança do técnico, que, já anunciou, fará dos jogos pelas laterais um ponto forte do seu time — e trata-se também de um ponto forte de Mancini.

Na entrevista que deu ao site da Inter, Mancini foi ponderado e não disse nada fora do convencional, agredecendo à Roma e aos romanistas pelo tempo passado lá. Mas, aposto com quem quiser, é só esperar algumas semaninhas para começarem a pipocar críticas ao time da capital ou, no mínimo, a Francesco Totti.

Autor: Gian Oddi Tags: ,

terça-feira, 3 de junho de 2008 Sem categoria, inter, técnicos | 13:04

chegou mourinho, o luxa europeu

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Mourinho em sua apresentação à Inter: chegou uma estrela, com moral, respaldo e competência. Tudo que o clube precisava

Divertida e promissora a apresentação de José Mourinho à Inter. Divertida porque o português, fama e jeito de marrento à parte, é um cara inteligente, com algum senso de humor e, sobretudo, que não se limita a soltar meia dúzia de frases burocráticas na linha do “se deus quiser e com muito trabalho…”.

Ele disse, por exemplo, que a Inter o procurou logo depois da eliminação da Liga dos Campeões, contra o Liverpool. Até porque, com o bom italiano que mostrou em sua primeira coletiva, negar isso não faria sentido — afirmou estar estudando a língua há cerca de um mês.

Quanto lhe perguntaram se jogadores como Essien e Lampard se adaptariam ao futebol italiano, soltou o seguinte:

— Mas por que você está me perguntando de jogadores do Chelsea?
— Porque é um jeito mais esperto de fazer a pergunta sobre a vinda deles — respondeu o repórter
— Sei… sim, sim, sim…. — e pensou mais um pouco, antes de concluir — mas eu não sou um bobão!

Parte da entrevista está no vídeo abaixo, no qual dá pra conferir o italiano do técnico português. Para ver o trecho citado, vá mais ou menos até 2′15″.

Mas a chegada de Mourinho, além de divertida, foi promissora porque é evidente e escancarado que o técnico chega com respaldo e moral que Roberto Mancini, apesar do sucesso em termos de conquistas, nunca teve no clube. Não acho Mancini um mau técnico, mas trocá-lo por Mourinho é mais ou menos como trocar Caio Júnior por Luxemburgo, se é que me entendem.

Se não entendem, explico com dois exemplos. Primeiro, não tenho dúvidas que o festival de desacato dos jogadores interistas com seu comandante acabou. Assim como não tenho dúvidas que os dois ou três reforços que Mourinho já pediu para o elenco que ele definiu como “o melhor do mundo” chegarão logo. E se forem mesmo nomes na linha de Lampard, Essien, Deco e Eto’o, tirar o scudetto da Inter será impossível. E vencê-la na Liga, bem mais difícil.

Autor: Gian Oddi Tags:

segunda-feira, 19 de maio de 2008 Sem categoria, campeonato italiano, jogadores, técnicos | 20:10

o balanço e as revelações

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Não, não se trata de propaganda do PSDB, mas de uma das muitas revelações do Campeonato Italiano 2007-08: Mario Balotelli, da campeã Inter

O tempo está escasso. Mas por sorte recebi um email do Braitner Moreira, do ótimo blog Quattro Tratti, que me “convocava” para uma eleição que eles estão fazendo por lá sobre o balanço final do Italiano. Assim, con il permesso del signor Braitner, vou aproveitar minhas respostas à enquete deles para dizer aqui o que achei de alguns times e personagens da competição.

Gosto especialmente da parte de revelações, que, como já tinha antecipado o Gilson nos comentários do post anterior, foi um dos pontos positivos desse bom Campeonato Italiano. Há outros, dos quais a gente vai falando mais pra frente.

Comentem e dêem suas opiniões sobre o que quiserem. Mas outros candidatos a revelação são especialmente bem vindos, até porque quero fazer um post a respeito em breve. Valeu.

>> Craque do campeonato
Ibrahimovic, o cara que decidiu o campeonato.

>> Melhor técnico
Cesare Prandelli, que colocou a Fiorentina na Liga dos Campeões, seguido de perto pelo Spalletti, que fez a Roma jogar bonito e por pouco não tirou o título de uma Inter com muito mais elenco.

>> Melhor contratação
Se o Juan não tivesse se machucado tanto, estava bem encaminhado para sê-lo… pode ser polêmico, mas fico com o Cassano! Apesar das Cassanadas.

>> Pior contratação
Embora seja do meio da temporada passada, acho que não dá pra não citar o Ronaldo. Pela expectativa que havia em torno dele para esta temporada.

>> Revelação
É meu capítulo preferido. São muitas, e provavelmente vou me esquecer de alguns nomes. Mas de cara eu citaria Giovinco (Empoli), Hamsik (Napoli), Lavezzi (Napoli), Osvaldo (Fiorentina) e Balotelli (Inter). Se for pra escolher só um, ficaria entre o Hamsik e o Balotelli… Tá bom, fico com o Balotelli! Mesmo tendo jogado menos que os outros, fazer o que ele fez com apenas 17 anos, no Campeonato Italiano, não é fácil.

>> Decepção
Assim como o Ronaldo na “pior contratação”, não dá pra não dizer Milan. Mas citaria também o Palermo, de quem esperava bem mais com aquela boa base e a dupla Miccoli-Amauri.

>> Surpresa
O Napoli e seus garotos. Recém-chegado da Série B, o time já cavou uma vaguinha na Intertoto e, quem sabe, já jogue a Copa da Uefa. Dava pra esperar mais?

Autor: Gian Oddi Tags: , , , , , , ,

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