Esclareço desde já: não tenho simpatia política pelo primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi. Pelo contrário. Mas é inegável que, como dono do Milan, Berlusconi é daqueles dirigentes que dão ao noticiário esportivo, muitas vezes monótono e cheio de clichês, um tempero especial — assim como José Mourinho na categoria dos técnicos. Ao contrário da justiça desportiva italiana, Berlusconi não achou ruim quando o zagueiro Materazzi comemorou a vitória da Inter sobre o Milan usando uma máscara de… Berlusconi! O cartola é indiscutivelmente querido por seus jogadores pela maneira informal como os trata. Até na hora de dar declarações sobre o clube, o político-dirigente não é de embromar. Disse sobre a recente contratação do brasileiro Mancini, ex-Internazionale: “Não entendi sua contratação. É mais um meio-campista, quando precisávamos de alguém que finalizasse. O Mancini está parado há dois anos! Não concordo com sua contratação e já falei ao [Adriano] Galliani [vice-presidente do Milan]“. O caso parece exagerado — um erro, até. Mas, num time vencedor como o Milan, mostra que dirigentes nem sempre precisam se esconder atrás de dissimulações e mentiras para ter sucesso. No caso específico de Berlusconi, talvez o futebol funcione para dar vazão aos seus arroubos de sinceridade: nos estádios, eles são bem menos nocivos do que em um parlamento.
* E o prestígio do brasileiro Mancini não é mesmo dos maiores na Itália atualmente. Sobre a transferência de seu ex-jogador, o técnico da Inter, José Mourinho, disse o seguinte, com um sorriso irônico no rosto: “Estou muito muito muito satisfeito que Mancini tenha ido ao Milan”.
* Não há por que duvidar do Corriere della Sera, o jornal mais importante da Itália, quando ele informa que Ronaldinho Gaúcho fez festa em um hotel às vésperas do derby contra a Inter. Mas é curioso como as tais festas tinham cessado apenas quando o Milan estava vencendo, não?
* Aliás, no momento em que as notícias no Milan voltam a ser as festas de Ronaldinho, Buffon diz que o objetivo da Juventus é chegar à Liga dos Campeões, e Ranieri afirma que não pretende iludir seus torcedores sobre chances de título da Roma. Ou seja: segundo seu próprios rivais, parece, a Inter já pode comemorar o penta.
* Marcelo Lippi disse que não é surpresa a força que seu colega Fabio Capello conseguiu dar à em geral desacreditada seleção inglesa. Mas, de olho na Copa, lançou um desafio: “Gostaria de uma bela final entre Itália e Inglaterra para ver como ele se comportará na hora do hino italiano”.
* Comentário do jornal La Gazzetta dello Sport sobre a entrada de Julio Baptista nos 2 x 0 contra a Udinese, ontem, pela Copa da Itália: “Se mexe como um cavalo louco: generoso, mas improdutivo”. De Rossi, em grande fase, foi de novo determinante com o ótimo lançamento para o gol de Vucinic.
* Mario Balottelli recebeu multa de 22 mil euros por indisciplina, desta vez por xingar José Mourinho ao ser substituído durante o jogo contra a Fiorentina, quarta-feira, pela Copa da Itália. Apesar de sua pouca idade (19), cada dia mais tenho menos esperanças de ver Balotelli virar, de fato, um grande jogador. É o efeito Cassano.