A derrota do clichê

O clichê, desta vez, não prevaleceu. Depois de quase um mês ouvindo que “a Itália começa mal, mas acaba dando muito trabalho” nas Copas, vimos a Azzurra cair. O campeão voltou, mas voltou para casa. Em um grupo que contava com Paraguai, Eslováquia e Nova Zelândia, os italianos conseguiram a façanha de ficar na última colocação. Cair na primeira fase, para a Itália, era um feito inédito desde 1974.
Não há empenho, final emocionante, contestação de gol anulado, lágrimas ou comparação com a França que salve a medíocre seleção italiana de Marcelo Lippi. Não comento pelo resultado. Escrevi em coluna publicada no Jornal Placar, há duas semanas: “Com um time envelhecido e fraco tecnicamente, restaria à Itália torcer pelo peso de sua camisa e pelo triunfo do imponderável. O problema é que o imponderável, que tantas vezes prega peças em times mais fortes para premiar os mais fracos, não costuma entrar em ação muitas vezes seguidas. Motivo pelo qual a Itália não deve ir longe nesta Copa.”
Os motivos da eliminação italiana não são novidades, portanto. A única novidade é que Marcelo Lippi passou a admitir erros. “Se você se apresenta com medo na perna e na cabeça, significa que o técnico não preparou bem o grupo”, disse após a queda. Pois Lippi erra até ao apontar seus erros. Porque o que ficou evidente nesta Copa é que o técnico optou por levar “seus amigos” à África, mesmo que sem condições físicas. Para isso, abriu mão da qualidade (que existe, sim, no futebol italiano).
Resta à torcida o consolo de lembrar que Cesare Prandelli será o novo técnico da Azzurra. Um técnico que costuma dar valor a bons jogadores. Simples assim, como deveria ser.
*** Peço desculpas aos que reclamam pela ausência. A culpa não é da Jabulani. Mas o ritmo deste blog, até o fim do Mundial, não deve melhorar. Apenas para registro por aqui, deixo o link do texto que escrevi sobre Marchetti (Há cinco anos, novo titular da Itália estava desempregado), no canal de Copa do iG.


Itália 3 x 2 Chipre


