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sexta-feira, 30 de abril de 2010 inter, liga dos campeões, técnicos | 10:37

Nas mãos de Mourinho

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“Pensei que tinha chegado ao máximo da empatia possível com os torcedores do Chelsea. Mas minha empatia com os da Inter é ainda maior. Estou apaixonado pelo clube e por estes torcedores, mas não pelo futebol italiano: este eu respeito, mas não amo”. Assim José Mourinho comentou aquilo que classificou como a “melhor derrota da sua vida”: Barcelona 1 x 0 Internazionale, resultado que levou a Inter, depois de 38 anos, a uma final de Liga dos Campeões da Europa.

Não é a primeira vez que Mourinho faz questão de dizer “não amar” o futebol italiano. A recíproca, porém, não tem sido verdadeira. Depois da classificação da Inter, os italianos, de novo, caíram de amores pelo português. Claudio Ranieri, seu desafeto e técnico da concorrente Roma no Campeonato Italiano, chamou de “espetacular” a classificação interista. Silvio Berlusconi, dono do Milan, brindou pelo feito do rival. Jornais do país não pouparam elogios ao português, acima de todos. Na Itália, Mourinho virou o símbolo de uma classificação heróica.

Agora, na final contra o Bayern de Munique, a Inter jogará por todo o futebol italiano. Não apenas simbolicamente: se vencer no tempo normal ou na prorrogação, manterá a Itália com 4 vagas na Liga dos Campeões da Europa de 2011-12. Se empatar ou perder da decisão, os italianos perderão uma vaga para o futebol alemão. Ironia do destino, o calcio está nas mãos de José Mourinho. O que hoje em dia, apesar da “falta de amor” do português, parece um ótimo negócio.

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quarta-feira, 28 de abril de 2010 inter, liga dos campeões | 12:35

Itália x Alemanha, a briga pela vaga

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Caros, é a Lei de Murphy: de todas as trabalhosas que havia feito para a versão inicial (já excluída) deste post, apenas em uma ocasião, a derrota da Inter por 1 x 0 sobre o Barcelona, eu me equivoquei, ignorando o ponto de bônus que o time italiano recebeu por passar à final.

O ranking da Uefa, neste momento, depois de Barcelona 1 x 0 Inter, está da seguinte forma:

1 Inglaterra: 81.142
2 Espanha: 79.329
3 Alemanha: 64.207
4 Itália: 64.052

Faltam dois ou três jogos (depende de o Hamburgo ir à final da Liga Europa) para definir que país ficará com  4 vaga para a Liga dos Campeões da Europa 2011-12. E a situação ficou do seguinte jeito:

* Se o Hamburgo perder do Fulham nesta quinta-feira, na Inglaterra, a Inter ainda poderá manter a Itália com a vaga. Para isso, precisará derrotar o Bayern na final (no tempo normal ou prorrogação) e levar o coeficiente italiano a 64,337, superando os alemães, que neste caso permaneceriam com 64,207.

Com qualquer outro resultado no jogo entre Hamburgo e Fulham nesta quinta-feira, aí sim a vaga ficará irreversivelmente com a Alemanha (porque, mesmo com um empate, o Hamburgo levaria o coeficiente alemão para  64,373, marca à qual os italianos não têm mais como chegar.

Está explicado. É isso. Desculpem o equívoco. E a Itália é Fulham nesta quinta-feira.

Autor: Gian Oddi Tags: , , , , ,

sexta-feira, 23 de abril de 2010 campeonato italiano, roma | 16:26

Era uma vez um banana

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"Banana, io"?

Não , não sou da turma dos que supervalorizam trabalhos de técnicos e suas linhas de 3, 4 ou 11. Mas, na última semana, o futebol italiano viu dois treinadores fazerem, de fato, a diferença.

José Mourinho foi determinante para que a Internazionale conseguisse anular Messi e Xavi e abrisse boa vantagem nas semifinais da Liga dos Campeões. Foi devidamente reconhecido pela imprensa europeia e brasileira. O mesmo não ocorreu com o romanista Claudio Ranieri, sobre o qual pesa o estigma de perdedor — só venceu uma Copa e uma Supercopa da Itália pela Fiorentina, além de uma Copa do Rei pelo Valencia — e, pior, de banana.

Pois o segundo adjetivo deve ser cortado da sua lista de características: substituir Totti e De Rossi no intervalo do derby, no qual sua Roma perdia por 1 x 0 para a Lazio, foi o ato mais corajoso de um técnico italiano nos últimos anos. Tivesse perdido a partida — e esteve perto disso antes de Julio Sergio defender um pênalti —, Ranieri teria sido massacrado por torcedores e jornalistas. Porque ainda que Totti e De Rossi, os melhores e mais emblemáticos jogadores da Roma, já tenham provado não ter condições psicológicas de jogar partidas decisivas quando a equipe sai perdendo, substituí-los é tarefa ingrata na capital italiana.

No primeiro tempo, quando ambos receberam cartão amarelo por lances estúpidos, eu apostava que ao menos um deles seria expulso no 2º tempo. Não foram, porque Ranieri não deixou que voltassem. A Roma virou o jogo e conquistou 3 pontos que podem ser essenciais para que o técnico conquiste o scudetto e deixe de lado a fama de perdedor. A de banana, definitivamente, ele já deixou.


Aproveito e publico também a coluna do Jornal Placar da semana passada, que deixei passar, por esquecimento. O tema, aliás, é relacionado.

O time e o craque

 

“Que coisa ridícula! Basta o cara tocar na bola que todo mundo fica louco”. A frase, dita pela minha namorada, escapou quando assistíamos ao jogo entre Roma x Torino no estádio Olímpico da capital italiana, no dia 31 de maio do ano passado. Seria inócuo tentar explicar a ela os motivos da idolatria da torcida da Roma por Francesco Totti, que naquele dia buscava marcar seu gol de número 200 com a camisa do time. O gol saiu, enfim, aos 38 do segundo tempo, de pênalti, o que levou aquele monte de camisas 10 espalhadas pelo estádio a um estado de êxtase incompreensível para uma torcida já sem objetivos no campeonato.

Francesco Totti já é para muitos na cidade — para a maioria, creio — o maior jogador da história da Roma, superando nomes como Bruno Conti e Falcão. Se vier a conquistar seu segundo scudetto neste ano, será incontestavelmente insuperável na história romanista. E aí há o perigo de cairmos na injustiça de atribuir majoritariamente ao seu capitão o eventual título romanista desta temporada — boa parte da imprensa italiana já deu pista que isso deve ocorrer ao destacá-lo em versão solo para simbolizar a liderança assumida na rodada passada. Não será justo: da incrível marca de 23 jogos invicta no Italiano, vale lembrar, a Roma não contou com Totti em 11. E este time, ajustado pelo sempre criticado (por mim, inclusive) Claudio Ranieri, já chegou onde chegou.

Totti é o melhor jogador da Itália hoje. Um dos melhores que vi jogar. Jogasse no Real Madrid ou no Milan, teria seu nome gravado com mais força na história. Mas não é porque a Roma não é o Real Madrid que o seu possível título deverá ser atribuído ao seu único craque. Até porque, como mostra o próprio Real, craques muitas vezes não dizem nada…

Autor: Gian Oddi Tags: , , , , ,

quarta-feira, 21 de abril de 2010 inter, jogadores, vídeos | 10:38

O fim da linha

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Tinha tudo pra ser uma noite só de festa depois da incontestável vitória da Inter por 3 x 1 sobre o Barcelona, pelas semifinais da Liga dos Campeões. Mas a estupidez de Mario Balotelli, de novo, fez mais barulho.

Depois de se declarar torcedor do Milan e de ser flagrado pela TV vestindo a camisa do arquirrival, o garoto que eu, então otimista, apresentava neste blog em setembro de 2008, deu mais um exemplo de que será a cabeça a tornar sua carreira muito menos significativa do que poderia vir a ser – vale lembrar que há não mais de dois meses a imprensa italiana pedia sua convocação para a Copa do Mundo.

Nesta terça, porém, durante o jogo no qual atuou (sem vontade) por apenas alguns minutos, Balotelli irritou-se com as vaias da torcida (que, compreensivelmente, não o vê mais com bons olhos) e não titubeou em xingá-la, sem se preocupar (de novo) com as câmeras. Ao deixar o campo, fez pior: tirou a camisa da Inter e atirou-a ao chão, com desprezo, sendo ainda mais vaiado. Veja a cena:

Depois do episódio, entre seus colegas, apenas Stankovic tentou contemporizar (foi ele, aliás, quem pegou a camiseta do chão). Materazzi, o rival Ibrahimovic é quem garante, tentou bater em Balotelli no túnel que dava acesso ao vestiário – foi contido. José Mourinho, como que repreendendo a uma criança de 7 anos, chamou o gesto de “muito feio”. O capitão Javier Zanetti afirmou que Balotelli “estragou a festa”. E o diretor Ernesto Paolillo classificou o gesto como “péssimo, absolutamente péssimo”.

Apesar da conhecida generosidade do dono da Inter, Massimo Moratti, com seus jogadores (Adriano e Ronaldo que o digam…), parece que Balotelli chegou ao fim da linha na Inter. Nesta temporada, então, seria burice de José Mourinho voltar a escalá-lo em qualquer jogo. E Mourinho não é burro.

Resta à Inter tentar ganhar um troco para se livrar deste problema chamado Balotelli. Para tal, precisará encontrar um comprador com a mesma inteligência do atacante.

Lazio 1 x 2 Roma
Fiquei em falta, como já virou costume, depois da incrível virada da Roma sobre a Lazio. Mas, se ainda não escrevi sobre o tema, o farei nesta quinta. E os méritos todos, já adianto, irão para Claudio Ranieri, o técnico romanista que virou o técnico mais macho do mundo. Perto de sua coragem para tirar os então desequilibrados Totti e De Rossi (scusate, ragazzi, mas é preciso admitir), o pênalti defendido por Júlio Sérgio virou fichinha.

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sexta-feira, 9 de abril de 2010 campeonato italiano, jogadores | 10:44

Problema médico

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Pato: vai e volta de lesões jogando pelo Milan

Não fosse o surpreendente fiasco dos até ontem badalados times ingleses e a convincente classificação da Internazionale para as semifinais da Liga dos Campeões da Europa, o alarde sobre a crise do futebol italiano seria bem maior. A crise, contudo, segue aí, comprovada pela iminência de o futebol tetracampeão do mundo perder uma vaga para a Alemanha no principal torneio da Europa— para a Liga de 2011-12, a situação é quase irreversível.

Os motivos da crise? Vários são elencados pela imprensa italiana, desde o domínio dos Ultras (as torcidas organizadas de lá) nos estádios, passando pelos comprovados casos de corrupção de árbitros ou dirigente e chegando ao alto percentual de impostos cobrados dos salários dos jogadores, o que dificultaria a contratação de estrelas do exterior.

Em outro motivo, porém, pouco se fala: a incompetência dos departamentos físicos e médicos dos principais clubes italianos como Milan, Roma e Juventus. Totti, Pato, Nesta, Del Piero… Não são poucos os exemplos pontuais, assim como é constante haver um grande número de desfalques por questões médicas e/ou físicas destas equipes, em qualquer jogo. O problema tem reflexo no Campeonato Italiano, claro, mas sobretudo nas competições continentais, onde as lesões dos times não se “equivalem” com as dos adversários. 

O melhor exemplo, porém, talvez seja a base da seleção italiana “ideal” na cabeça de Marcelo Lippi. Vejamos: Buffon, Zambrotta, Cannavaro, Chiellini, Grosso, Camoranesi, De Rossi, Marchisio, Pirlo, Totti e Iaquinta. Só mesmo a Itália conta com um time-base do qual 5 dos 11 “titulares” tem perdido ou perderam grande parte da temporada por lesão. É que, na Itália, estar machucado tem sido a regra, não a exceção.

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segunda-feira, 29 de março de 2010 inter, milan, roma | 11:27

Entre Inter e Roma

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Posso até queimar língua, mas parece improvável.

Após a rodada do fim de semana, ficou difícil apontar o provável campeão italiano da temporada. A Roma tem a seu favor um ótimo momento — 21 jogos de invencibilidade —, a volta de Francesco Totti e a vantagem contra a Inter no critério de desempate. A Inter desfruta de um ponto de vantagem sobre a rival da capital, ainda faz 4 jogos em casa (Milan e Roma fazem 3) e conta, incontestavelmente, com o melhor elenco da competição.

Menos arriscado que apontar o favorito é excluir o Milan da brincadeira. Jogando um futebol medíocre nas últimas partidas — foram três tropeços seguidos nas três últimas rodadas — e com 3 pontos de desvantagem para a Inter, o time do técnico Leonardo ainda conta com uma tabela mais complicada que a dos rivais. Nas suas últimas 7 partidas, pega fora de casa bons times como Sampdoria, Palermo (invicto em seu estádio) e Genoa. E recebe, no San Siro (onde não conseguiu vencer Napoli e Lazio recentemente) a Fiorentina e a Juventus.

Confira abaixo os últimos sete jogos de Inter, Roma e Milan no Campeonato Italiano.

E agora arrisque, sem titubear: quem leva o scudetto 2009-10?

Autor: Gian Oddi Tags: , ,

sexta-feira, 26 de março de 2010 inter, jogadores, vídeos | 10:22

Os pés e a cabeça

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Por suas boas atuações, há algumas semanas, o atacante Mario Balotelli (leia post do tempo em que ele ainda era desconhecido) tinha virado o novo eleito da imprensa italiana para atazanar o técnico da seleção, Marcelo Lippi — na Itália, haverá sempre um eleito para tal função antes das Copas.

Pois Balotelli tratou de resolver o “problema” de Lippi em menos de 15 dias. No dia 14 deste mês, brigou e ofendeu técnico e colegas da Internazionale durante um treino. Foi assim excluído do jogo seguinte, contra o Palermo. A condição para que voltasse era um pedido de desculpas ao grupo. “Depende só dele. O esperamos de braços abertos”, disse o zagueiro Marco Materazzi. Mas nada. Balotelli não se desculpou e continuou fora na vitória por 1 x 0 sobre o Chelsea.

Talvez por estar desocupado, Balotelli resolveu então conceder, em um bar, entrevista ao Striscia La Notizia, uma espécie de CQC italiano. Lembrando recente declaração do jogador, que afirmara (acreditem) ser torcedor do arquirrival Milan, os cômicos/jornalistas lhe presentearam com uma camisa do time rubro-negro. Diante das câmeras, claro, Balotelli não a vestiu – preferiu apoiá-la sobre o corpo e dizer que fazia questão de ficar com o presente.

Porém, com ingenuidade surpreendente até mesmo para seus poucos 19 anos, acabou por vesti-la quando as câmeras estavam desligadas. Supostamente: em atitude condenável, uma câmera escondida (mas, nos tempos atuais, bem poderia ser um celular qualquer) ainda registrava seus atos.

A imagem de Balotelli, atacante da Internazionale vestindo a camisa do Milan, correu o mundo. Massimo Moratti e José Mourinho, presidente e técnico da Inter, ficaram irritadíssimos. E Balotelli seguiu fora do time na vitória sobre o Livorno, na quarta-feira.

O episódio, somado a outras declarações desastradas e atitudes impensadas de Balotelli, já o põe como forte candidato a entrar na categoria de Antonio Cassano, um outro jogador que há pouco era o “escolhido da imprensa para atazanar Lippi”. A categoria dos jogadores que foram muito menos do que poderiam ter sido.

Veja o vídeo do programa:

Autor: Gian Oddi Tags: , , , , ,

sexta-feira, 19 de março de 2010 campeonato italiano, inter, liga dos campeões, milan | 10:56

2 times, 7 dias

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Berlusconi: da lamentação à confiança, em 7 dias

Quarta-feira, 10 de março. Humilhado, o Milan perde por 4 x 0 do Manchester United e é eliminado da Liga dos Campeões. Torcedores protestam, de novo, contra a diretoria. Berlusconi, dono do clube, ironiza: “Além de chorar, eu coloco dinheiro”. Leonardo é criticado. O time perde o zagueiro Nesta, machucado. A depressão é total.
 
Sexta-feira, 12. A Inter perde por 3 x 1  para o Catania em mais uma atuação decepcionante no Campeonato Italiano. Jornais destacam a queda de rendimento da equipe e começam a especular sobre a saída de José Mourinho caso o time não vença a Liga dos Campeões.
 
Domingo, 14. Com um golaço de Seedorf nos acréscimos, o Milan vence o Chievo por 1 x 0 e fica a um ponto da líder Inter. A euforia no San Siro é total. E a perspectiva de título, graças também à tabela mais difícil da Inter, passa a ser real. “Eu acredito”, diz o outrora choroso Berlusconi.
 
Terça-feira, 16. Em Londres, a Inter dá um banho no Chelsea e avança às quartas da Liga. As críticas de sábado desaparecem e dão lugar a elogios e à promessa interista de “blindar” a permanência do técnico português por muitos anos.
 
Em uma semana, o humor de Inter e Milan e as análises sobre os dois times mudaram da água para o vinho. Em uma semana, sabemos, o vinho pode ficar aguado novamente. Por enquanto, a única certeza positiva para os times de Milão é que o título nacional ficará na cidade. O que, para a Inter, já não seria suficiente.

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sexta-feira, 12 de março de 2010 jogadores, milan | 12:57

Exageros do “Caso Gaúcho”

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Ronaldinho Gaúcho teve atuação discreta na vexatória eliminação do Milan diante do Manchester United pela Liga dos Campeões. Tão logo acabou o jogo, os antirronaldistas, que andavam sumidos, ressurgiram em fóruns na internet e e-mails dirigidos a programas de TV. “Estão vendo? Nas horas importantes ele some!”, diziam em linhas gerais, raivosos, lembrando as fracas atuações do Gaúcho contra Inter e Roma, pelo Campeonato Italiano.

O debate sobre a convocação ou não de Ronaldinho tem suscitado ódio e exagero. Nos casos acima, ódio por Ronaldinho. Na maioria dos casos, ódio por Dunga: baseados nos últimos quatro ou cinco meses do bom futebol apresentado por Ronaldinho na Itália, críticos têm visto no técnico da seleção um ex-cabeça-de-bagre intransigente, rancoroso e turrão, disposto a transformar a seleção num time de Dungas.

Eu levaria Ronaldinho à Copa. Mas Dunga, que pode até ser intransigente, rancoroso e turrão, tem motivos compreensíveis para não levá-lo. Lembrar daquilo que se cobrava do técnico da seleção após o fracasso da Copa-2006 talvez seja um bom início para entendê-lo. Se Ronaldinho não vier a ser convocado não será um absurdo. E a decisão final de Dunga, seja qual for, não deveria fazer ninguém espumar de raiva.

Até porque já sabemos quais os desfechos possíveis da não convocação. Com o Brasil campeão, Dunga será exaltado por ter “mantido sua coerência e linha de trabalho”. Com o Brasil eliminado, todos terão a certeza que, com Ronaldinho, a história teria sido outra. Afinal, se o futebol está longe de ser uma ciência exata, o mesmo não se pode dizer sobre suas análises: estas, haja o que houver, estarão sempre atreladas aos resultados.

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sexta-feira, 5 de março de 2010 azzurra, copa do mundo | 09:47

Renovação x qualidade

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Cossu, em sua estreia pela seleção italiana (AFP)

Após o empate por 0 x 0 com Camarões no amistoso da última quarta-feira, o técnico da seleção italiana, Marcelo Lippi, elogiou as duas principais novidades de sua desfalcada equipe: o meia Andrea Cossu, do Cagliari, e principalmente o zagueiro Leonardo Bonucci, do Bari. A imprensa registrou.

No dia seguinte ao amistoso, porém, os jornais já traziam as seguintes declarações. De Del Piero: “Meu grande se sonho se chama Copa 2010. A camisa azzurra é a máxima aspiração que um jogador pode ter”. De Luca Toni: “Lippi conhece meu valor e sabe aquilo que posso dar. Eu ainda espero. Temos mais de dois meses até a Copa”. Dias antes, Francesco Totti afirmara o seguinte: “Março e abril serão meses decisivos para saber se irei à Copa. Verei minhas condições físicas e decidirei junto com o Lippi”.

Na Itália, as tradições e as experiências do passado têm muito valor, e as renovações ou mudanças costumam ser vistas, no mínimo, com desconfiança. Por isso, como aconteceu recentemente com o Milan, não faltam por aí, no Brasil inclusive, críticas à dificuldade italiana de buscar e aceitar renovações em seu grupo.

Em casos como os de Totti e Del Piero, porém, as apostas não seriam no passado vitorioso de 2006, mas na qualidade e no bom futebol. Ou alguém acha que a “renovação” Cossu, com seus 29 anos, virá um dia jogar o que jogam (ainda hoje) os ídolos de Roma e Juventus?

Novo lobby
Um novo nome surgiu cotado pela imprensa para ir à Copa, com direito até a apoio do presidente da Federação Italiana, Giancarlo Abete. Trata-se do jovem (este sim) Mario Balotelli, da Internazionale. O garoto chegou a apostar um jantar dizendo que vai à África. Lippi, porém, não deu indicação alguma disso.   

Técnicos top
Se a Itália não chegará à Copa tão badalada como alguns de seus rivais, o mesmo não se pode dizer dos técnicos italianos: Fabio Capello, comandante da seleção inglesa, e Marcelo Lippi, da italiana, são os dois treinadores mais bem pagos do Mundial, com salários de 8,8 e 3 milhões de euros/ano, respectivamente. Leia mais sobre os salários dos técnicos do Mundial clicando aqui.

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